Durante séculos os cultos dos povos africanos ou indígenas foram rejeitados por serem considerados selvagens e desprovidos de alma ao amarem coisas ou adorarem a natureza atribuindo-lhes deuses. E a verdade é que estas religiões possuem pela natureza um amor que já há muito o Homem civilizado perdeu, e por o ter perdido deixou de se reconhecer a si mesmo que no fundo é tão filho do Criador como o são a terra e as árvores. Toda a criação natural nos fica agradecida quando a amamos e dota-nos de uma sensibilidade especial para captar o essencial das coisas simples e verdadeiras. Ao Homem foi lhe dada a alma que o tornou superior mas o sopro da criação também recaiu sobre os animais e as coisas tornando-as belas. De seguida, o uso que o Homem dá às coisas é que as torna boas ou más. A energia do átomo quando apenas dividido é inofensiva e a sua força é algo boa. Mas se for usada para matar, volta-se contra o Homem. Pode ter tudo nas mãos como força vital desde que ame com humanidade e não com interesse ou ganância. E ser profundamente humano aproxima-o quase do divino. Toda a natureza é digna de cuidado, de culto e de amor. E estes povos africanos sabem-no melhor do que ninguém e como conviver com ela e com os seus fenómenos. Muitos povos mais civilizados e responsáveis pelos maus-tratos à natureza ficam apavorados com uma simples trovoada! Um ocidental mirando uma paisagem só capta cinco tonalidades de verde quando existem centenas delas. Perdem-se aos poucos aqueles sentidos naturais por não se amarem as coisas criadas e porque os impulsos o levam a destruir em lugar de criar e conservar.
Estamos a matar uma criação de Deus, a natureza…e como tal não conseguimos amá-la! Felizes o que conseguem ouvi-la e senti-la…! Felizes o que sentem a melodia do mar, os que ouvem os rugidos do vento, os abraços deste aos pinheiros…, as sinfonias belas dos grilos e pássaros…felizes e porquê? Porque estão a sentir Deus.
O verdadeiro amor está em coisas muito simples…e ninguém dá por tal…melhor raros sabem disso…e ainda mais raros os que sabem e conseguem “vê-la”…! Os primitivos eram o que eram mas tinham compaixão pelas criações de Deus. Eram selvagens? – diriam os denominados civilizados…! E estes não eram? O conhecimento a mais que tinham era razão para classificarem de animais os tais primitivos?
Como dizia alguém: “Aquele é um ignorante do caraças, primitivo, selvagem, sujo, sem regras, sem normas, sem moda, … e tem uns esquisitos movimentos e comportamentos perante as flores, animais, arvores e mares, …, falam com eles…é mesmo maluco!”
Ou um outro dizia: “Eu sou inteligente e civilizado, mas aquele com mentalidade, cultura e religião marada é um selvagem!”
Uma questão correria nos meandros da filosofia…:
”A superioridade mede-se pelo conhecimento ou pela compaixão que damos às obras de Deus?”

Sem natureza o que somos? Sem a bela criação de nosso Pai, o que somos?
Nada! Tão simples, nada! MAS a criação sem nós o que é? Simples, continua a ser Natureza, bela…mas, apenas, solitária!

Terminando,… …
…como diz tanto a citação seguinte:

“Deus perdoa sempre tudo. O Homem só às vezes. A Natureza, nunca.”

(by F&M)