(…)
…depois da vibração amaciar os meus pés, como picadas de pedrinhas da praia, …fiquei absorto nos pensamentos…!
…fecho os olhos…respiro fundo…a respiração torna-se leve e lenta…
…a alma abre-se-me e os sinos do coração tocam…tal melodia provoca-me uma paz indescritível…ao estilo de mantras sofisticadas, infimas e penetradoras…
…a paz invade-me…
…não mostro resistência…
…começo a imaginar um caminho…
…estou nesse caminho…
…olho para trás e vejo poucas árvores, ambiente pouco colorido, raras flores, algumas pedras intocáveis…
…e olho para frente e vejo apenas sementes…muitas sementes…mas também muitas pedras…
…desejo tanto ir para trás cuidar das árvores, de saciar a saudade do meu passado…e corrigir os erros…
…mas não consigo,algo invisivel impede-me…
…também não consigo ficar quieto…
…resta-me pois olhar para as sementes…
…olho para elas e reparo que estão tratadas, …, parece que precisam apenas de água, de carinho…
…serei eu o responsável pelo cuidado delas?… creio muitas delas, sim…
…terei de procurar água…devo procurar caminhando…sei que irei cair…irei levantar, pois a água não nasce em qualquer lado…
…irei ser confrontado com a mudança…
…pela força da natureza, da necessidade, da sobrevivência…
…começo a perceber o significado do caminho, das sementes, …
(…)
…não é que, numa curva consigo vislumbrar uma tela do passado…e vejo…uma criança…um ser humano a ser bombardeado por carinhos, miminhos, amor…como um rei…como a personagem principal…
…reparo que tal existência, só por si, provoca alegria instantâneas…
…sinto-me incapaz de estancar ciúmes por esse ser…por não estar no lugar dele…
…mas o tempo passa, os lugares não são os mesmos, …, o ar é outro, a água é outra, os ambientes são outros, …e é preciso ser-se outro …e não pensar no rei, mas sim na pro-actividade do carinho, da coragem, dos miminhos aos que mais precisam…e também ao meu “eu”…
…um impulso repentino surge e grito com todas as minhas forças para as profundezas: “não te esquecerei!…nao…”…sinto-me estranho…não percebi tal impulso…entendi a mensagem…mas não a sua origem…
…aos poucos vou entendendo a causa-consequência deste caminho…a missão de quem atravessa(rá) este caminho…
…o horizonte da tela desaparece…o tal rei esfuma-se no infinito…
…olho por instantes para o chão na esperança de ouvir um novo grito do meu “eu”, uma nova mensagem…mas é o vazio que grita…!
…apanho de novo o fio da meada da melodia do sino…sinto meu corpo tremer…é tão linda a melodia…sinto-me feliz, a calma contagia-me, …,  sinto-me livre como um pássaro que voa sem se preocupar com as asas, com o esforço destas, com a rota…sinto-me hipnotizado pela alegria e paz…!…
…abro os olhos…de volta ao meu interior…
…saí de um sonho, … e quero voltar de novo a ele…
…novo grito ecoa pelo universo todo, pelo interior todo…
…”continua…!”…
…fico a fazer contas de onde terá vindo tal mensagem…a descartar hipóteses…
…não sentindo vibração nos pés, nem cheirando o aroma suave do coração, sobra-me pensar na alma…e como tal a sinceridade, a humildade e pureza estarão (concerteza) presentes nesta mensagem…
…guardo a mensagem…e continuo-me na aventura, na descoberta…na caminhada…
(…)
…chego a uma espécie de rotunda…com vários sentidos…e novos caminhos…
…para onde devo ir?…vou ver melhor as tabuletas…
…tenho saudades do querido sino, …, sua melodia me ajudaria a decidir a melhor saída da rotunda…
…depois de ver as tabuletas todas paro…
…sento-me no chão, no meio da rotunda…e deito-me para trás, de costas…
…fico a olhar para cima…para o brilho do alto…provavelmente da alma…
…brilho incandescente…eterno
…a
fadiga assalta-me sem pedir autorização…a malandra…
…as palpebras dos meus olhos também sem pedir autorização, caem…
…espero conseguir sonhar…
…para, de lá, descobrir alguma pista perante a escolha da tabuleta…do caminho novo…
…e também para me sentir leve, livre…sim…livre… ja sinto saudades de voar…
…o sono droga-me…e o inconsciente começa a ganhar espaço…   
(…)