A vida é uma aventura de lutas constantes onde o sacrifício e o árduo trabalho estão bem patentes. Ela é um verdadeiro puzzle desconcertante.
O paradoxo é conceito muito atribulado que retrata os tempos de hoje. Segundo filósofos, tais como Engels e seu amigo Karl Marx, a essência do paradoxo ajusta-se a “uma afirmação aparentemente contraditória, absurda ou não credível, mas pode ser verdadeira”.
Nas veias da história, tempos turbulentos a humanidade viveu, sendo os mais sangrentos e desprezíveis, as guerras mundiais e as ditaduras nelas alienadas: o nazismo e o comunismo. Tal implicou que houvesse maiores complexidades no mundo, dilatando paradoxos. O ser humano deve reduzir a grandeza de algumas contradições, não esquecendo que não as pode eliminar, tendo que viver com elas…
Os paradoxos não são mais do que uma forma de explicar os fenómenos que afectam as sociedades de hoje. Eles têm de ser geridos de uma forma eficaz e firme, mas para isso têm de ser estudados e entendidos. Para nos acomodarmos à confusão de hoje, temos de começar por organizá-la na nossa mente, para depois podermos converter a turbulência em acção.
Uns dos paradoxos mais notáveis, é o do conhecimento. Este reside no facto de que a inteligência não se pode dar e mesmo que se partilhe, continuará a pertencer-nos. A inteligência é a nova forma de propriedade, a nova fonte de riqueza. É inconcebível a posse da inteligência de outrem. De facto, uma pessoa quando sai do trabalho, leva a (sua) inteligência consigo.
Hoje em dia, muitas pessoas têm trabalho e dinheiro mas não têm tempo de lazer, enquanto que há diversas pessoas que têm o contrário. O homem metamorfoseia o trabalho num deus, mas este torna-se pouco adorado. O défice adoração,  deve-se ao facto das empresas quererem o máximo de trabalho pela menor remuneração possível, enquanto os trabalhadores pretendem o contrário. Com efeito, nasce divergência entre empresas e trabalhadores. Dentro deste paradoxo (o trabalho), apresenta-se-nos o da produtividade, que é explicado pela evolução da sociedade. Este conceito, significa mais trabalho, mais eficiência e menos pessoas. Com a produtividade em alta, as empresas e trabalhadores ficariam a ganhar. Haveria lucros para o negócios e clientes e também melhores salários. Mas o mundo de trabalho sofreu uma mudança de visual. Presentemente, muitas pessoas trabalham por conta própria e este novo tipo de negócio está em constante expansão.
Depois da análise de alguns paradoxos, deparamos com um muito subjectivo e complexo: o tempo. O homem vive mais e gasta menos horas em ocupações e/ou actividades de lazer. Logicamente, era de concluir que teríamos mais tempo disponível, mas o tempo não chega, sequer, a ser suficiente. No passado, o tempo que os homens dedicavam ao trabalho determinava aquele que sobrava para as suas famílias, enquanto que para as mulheres acontecia o inverso dos homens. Reparamos que a simplicidade não é a mesma de outrora pois temos de considerar novas realidades, novos empregos, horários mais estritos e flexíveis, enfim um novo mundo de trabalho.
Parafraseando um economista conhecido, Paul Samuelson: “o crescimento económico depende de um número crescente de pessoas que procuram mais bens e serviços”. Significa pois, que nas sociedades mais desenvolvidas as pessoas cada vez geram menos futuros consumidores e vivem mais tempo. Deveria haver uma procura mais forte de novos mercados. A vida económica não é um mar-de-rosas, há zonas no mundo onde as pessoas querem e precisam de comprar, mas não têm meios para tal, e é aqui que entra em acção o paradoxo da riqueza. Devemos, pois, fornecer meios aos países carenciados, para que produzam bens que nos possam vender para depois poderem comprar os nossos produtos.
A vida muda de escala e tamanho. O homem nasce, cresce e envelhece…! As gerações mudam, e cada uma delas se considera diferente da anterior, mas agem como se as gerações seguintes fossem iguais à sua.
Espreitando a realidade, é sabido que a educação dos jovens tende a ser cada vez mais prolongada, sem um fim definido. Estes começarão a trabalhar tarde e tentarão de forma impiedosa mudar a sociedade para se ajustarem às suas necessidades e não às dos que lhes seguirão. Cada geração envelhece de forma discrepante, lesada pelos condicionalismos que marcaram a sua própria história.
A vida por si só não é justa, ela não tem o mesmo significado para todos os homens. Mas tais olhares diferenciados é da culpa do homem. Ser justo significa tratar as pessoas de forma honesta, dando a cada uma o que merece. Assim sendo, questionaremos: Será a justiça a recompensa pelo desempenho e o castigo por ofensas/delitos? Ou será antes, proporcionar a cada um o que precisa? Paralelamente outra questão corre: O pobre deverá receber mais dinheiro porque precisa mais ou o cientista porque contribui mais? Vemos, pois, aqui o retrato do conflito entre a recompensa do mérito e os objectivos de igualdade e justiça social. A sociedade não se pode rebaixar perante a injustiça pois se não,… auto-destruir-se-á!
Em suma, …, os paradoxos conseguem nos confundir e a vida seria melhor compreendida se nos posicionássemos no futuro e tomássemos as decisões acertadas no presente, mas ta não é possível e ainda bem pois, se fosse possível, não cresceríamos, não amadureceríamos perante as dificuldades, perante a vida…!
Para terminar, somos nós, homens e mulheres, que devemos ser a medida de todas as coisas e não feitos segundo uma determinada regra e/ou verbo, apesar do presente inquietante nos mostrar outras direcções.

Bom fim-de-semana.